A astrofísica da voz de Mallu

Não foi preciso que a Mallu nos dissesse “Vem”, para irmos. O vestido branco e a ternura da voz começaram, “Pelo telefone”, a chamar-nos a esta festa, agora alargada a uma sala maior. Do álbum homónimo, a artista fez o chamamento ao público português, para terminar com ela a digressão do trabalho mais recente. “É chique, o Coliseu” – disse, a sorrir. Foi a primeira vez que as palavras se fizeram discurso e não canção: “Se falo acho que falei muito, se não falo penso sempre que devia ter falado”. A doçura das canções navegou pela “Culpa do Amor” e mesmo que a timidez do público não tenha dançado com o “Sambinha bom”, houve, de certo, corações a bambolear com “Love You”.

A fazer da vida a manta aberta de que fala em “Gigi”, Mallu fez-se acompanhar de voz, violão e uma banda inteira, imponente, para acompanhar uma noite tão bonita. Com Marcelo Camelo, que infelizmente não se juntou à “Janta” nem aos clássicos revisitados de Banda do Mar, Fred Ferreira conseguiu uma bateria sumptuosa e de destaque para abrilhantar (mais ainda) “Me Sinto Ótima” e “Seja Como For”. E foi: da Mallu, da Banda do Mar, da Gal Costa ao Jobim e também de O Terno, com “Culpa”.

Sala cheia e “Casa Pronta” foram mais que motivos para este outubro ter sorrido entre assobios doces e uma órbita de delicadeza a girar em torno de Mallu (ou é, ela própria, a circunferência exterior dessa grandeza que o carinho faz girar). Sozinha em palco, com a Banda do Mar, de trompetistas e saxofones ou Francis Dalle, Mallu fez, desse “Vai e Vem” de canções, uma trajectória exponencial de afecto. Dos clássicos a, literalmente, “Novas Belezas” – canção com estreia na noite do Coliseu – houve espaço para a “Velha Louca” e “Olha só Moreno”. Da lista das canções para as quais os pulmões se enchem de ar para trautear a bom som, só ficou a faltar a “Festa”. Mas, essa, fê-la ela, em duas horas de canções de amor e tempo.
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Photo By: Ana Guedes

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