Coliseus recebem a Lebre – Diabo na Cruz num regresso imperial

Já sabemos que “os loucos estão certos” desde os tempos da “dona ligeirinha”. O que não é assim tão ligeiro são as novas canções que os Diabo na Cruz nos trazem, agora, saltitantes, em “Lebre”. Depois de “Virou”, “Roque Popular” e o homónimo, surge agora o quarto álbum, trabalhado durante os últimos 3 anos e muitos quilómetros de inspiração.

A matemática do álbum é simples: Lebre compõe-se de onze músicas e mil exaltações. Impera a fórmula de diabo: dos bailes de verão, corridinhos portugueses tão tradicionais, ao folclore reinterpretado de Diabo, intercalado com baladas calmas que ressoam nos corações mais nostálgicos. Temos crítica e mensagens poderosas, mas não temos canções de intervenção – até porque, como diz Jorge Cruz, é mandatório afastarem-se desse cliché de nomeação, por acreditar que as grandes canções de intervenção pertencem a outros.

A Jorge Cruz juntam-se Bernardo Barata, João Pinheiro, João Gil, Manuel Pinheiro, Sérgio Pires, para mais um disco que premeia a tradição portuguesa e a homogeneidade da lírica. Há acordes arrojados, teclas esdrúxulas e bateria a marcar o compasso da dança. Se é impossível ficar parado com Malhão 3.0 ou Roque da Casa, torna-se evidente o peso majestoso de Terra Natal ou Montanha Mãe/Contramão. E é no oposto desse sentido que o futuro dos Diabo promete ir: em Procissão, para a frente, a sublinhar Terra Ardida em Portugal (e um mundo inteiro de canções ritmadas, pautadas de contrastes e interpelações de alegria e alegorias).

E se temos Diabo a nu, é de alegria dançante que nos vestimos para correr com a Lebre. A festa faz-se a 15 de Novembro no Coliseu de Lisboa e a 22, do mesmo mês, no Coliseu do Porto. Os concertos, com início previsto para as 21H30 em ambas as salas, têm o preço de 15€ e dispensam a informação de que é obrigatório estar de pé, nestas noites, para dançar com o Diabo.

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