A despedida de Swans na Invicta

Antes de entrarmos, apercebemo-nos da devoção de quem chega. Na fila para as bilheteiras, uma rapariga sorri, enquanto pula e diz “Está quase, está quase!” E estava. Começam em ponto. Trazem ao Porto aquela que está prometida como a última digressão da banda encabeçada por Michael Gira. Os Swans chegam com o mais recente trabalho e trazem a hipnose da música aos apaixonados que acompanham o trabalho desde os anos 80. Claramente, que muitos dos que sorriem na plateia quando os americanos entram em palco, só os conheceram anos mais tarde, mas a dedicação é tão igual quanto superior.

Só depois de alguns problemas técnicos que fazem Gira tornar-se antónimo da calma, é que o Hardclub devolve ao rock os cabelos despenteados a dançar ao compasso das guitarras agitadas. Mas são mais aqueles que permanecem intactos, compenetrados no espetáculo ensurdecedor que a banda lidera A bateria forte acompanha as teclas que entram no misticismo do rock puro dos americanos. Mais maduro e mais adornado, os Swans são o “Little God in My Hands” que queremos manter por perto. Enquanto Gira se assume como o “Glowing Man” calmo e carismático, o público assume-se como uma gigante onda de calor que exibe na presença a ternura da despedida. Para quem acompanhou a dissolução da banda do final dos 90, agora só pode esperar que este seja mais um hiato temporário.

Com uma espiritualidade que começa na voz de Michael Gira e se estende pelos braços, é na ponta dos dedos que o vocalista dos Swans recebe essa inspiração e a devolve ao público com o espectáculo incrível que voltou a exibir no Porto. Depois do NOS Primavera Sound, a sala que agora recebe esta despedida é carimbo de um formato íntimo que ainda a torna mais especial. É assim que se faz a história: nas despedidas significativas. Esperemos que seja só um até já!

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