Reportagem: Manuel Fúria e os Náufragos no Plano B

Acordes para rimar em Fúria

Manuel Fúria e os Náufragos chegaram. O barco de canções que trouxeram ancorou no Porto e a noite serviu para descobrir todo o território que os lírios deixaram contemplar. Nesse campo que foi a sala do Plano B, houve espaço para o público ir aquecendo a sala ao som das primeiras músicas. Entre “Estandarte” e “Jogo do Sapo”, o palco e o público fundiram-se no ambiente acolhedor da sala.

Do RitzClube, em Lisboa, para o Porto, o GPS vocal deixou que a voz rouca entoasse as canções durante cerca de 90 minutos. “As vozes estão roucas mas o coração está quente”, disse Manuel, na jornada dupla que marcou a apresentação do seu mais recente trabalho. No Porto, as palmas foram o compasso para acompanhar os corpos a dançar. “Por não ser uma canção nossa mas, no fundo, ser de nós todos”, as vozes acompanharam Fúria no refrão de “Sonhos de Menino”.

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A multiplicar surpresas, os convidados que subiram ao palco deixaram que as músicas fossem os mistérios desmistificados debaixo de “Tempestade”, “Canção para casar contigo” ou “A minha alma”. Com Tomás Wallenstein, Salvador Seabra, Pedro de Tróia, Constança Archer, Silas Ferreira, Francisca Mateus e Paulo Jesus. A cantar em português, o leme deixou que as palavras soassem na entoação perfeita e que a terra à vista fosse a nação. Para “pegar fogo a Lisboa” faltou menos do que a “declarações de intenções” revelou mas foi em terras do norte que Fúria concebeu um público dançante. Na melodia daquilo que a claridade deixou entrar, os actos serviram-se sem pancadas de Molière.

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Os instrumentos enfurecidos deixaram que a agitação dos artistas contagiasse as marés. As cordas dos violinos e os coros foram esse mar revolto onde a música mergulhou por inteiro. As ondas trouxeram ao Porto a âncora para ouvir, dançar e saber que Manuel Fúria e os Náufragos chegaram em dia de bandeira vermelha, para ser verde. A moldura que se desenhou em palco deixou que a posteridade registasse momentos quentes naquele que foi “um concerto pequeno, mas um concerto de coração”. E em noite de inverno rigoroso, cantou-se a canção, do alto de todas as montanhas.

Texto: Ana Guedes

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