Reportagem Vodafone Mexefest (8 Dezembro)

Mais um dia de Vodafone Mexfest que é, como quem diz, parabéns à Música no Coração/Vodafone pela organização deste fantástico festival que, durante os dias 7 e 8 de dezembro, encheu de movimento a avenida da Liberdade em Lisboa.

O conceito de um festival em movimento e fora de um espaço circunscrito tem sido uma das grandes apostas dos seus organizadores. Assim, ao invés dos espaços desabitados, onde habitualmente decorrem os festivais de música – muitas vezes nos arrabaldes da cidade -, o Mexfest pauta-se por ser um festival citadino e de bom gosto, que procura dar vida a cinemas e teatros antigos, bem como a outros espaços (como o Cabaré Maxime, a Casa do Alentejo, a Sociedade Portuguesa de Geografia ou a Igreja de São Luís dos Franceses, só para destacar alguns), promovendo o movimento de gentes e mostrando sítios míticos, que durante séculos, animaram a vida cultural de Lisboa.

Por isso, só quem lá esteve pode avaliar a sensação maravilhosa que é assistir, no Teatro Tivoli, com as suas elegantes frisas e cadeiras, aos concertos do extraordinário Michel Kiwanuka e dos imparáveis Django Django.

 Michel Kiwanuka parece ser já um caso sério no panorama musical da actualidade. O seu estilo descontraído e simples conseguiu atrair legiões de fãs à sala do Tivoli, que ali assistiram cantando e dando apupos às delicadas melodias deste jovem artista. Kiwanuka revela uma rara maturidade artística, com apenas 24 anos, interagindo com o público de modo calmo e seguro, e temperando as suas composições musicais com fantásticas notas dos melhores Blues que já escutámos.

Directamente da Escócia chegam-nos os Django Django que tanto têm apaixonado o público português com temas como “Default” ou “Waveforms”. A sua energia em palco é altamente contagiante, e a comunicação com o público divertida e bem disposta. É impossível manter os pés no chão durante a actuação deste quarteto de rock alternativo, que consegue conjugar tonalidades electrónicas com um fundo melodioso que inevitavelmente nos faz lembrar os Beatles.

Também a merecer destaque o projecto “Noiserv”, do português David Santos, que teve a assistir um público interessado e menos “mex(ido)” na Sala Manoel de Oliveira, no Cinema São Jorge. As melodias, que David Santos extrai do sóbrio conjunto de instrumentos com que se apresenta, fazem lembrar uma espécie de caixa de música, onde se conjugam as palavras do artista e os desenhos que se vêem crescer no ecrã à medida que canta. Sem dúvida, um projecto de experimentação minimalista que aposta no valor da palavra tornada música e na sua combinação com a arte do desenho.

Texto: Andrea Mendes

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